terça-feira, 13 de maio de 2014

Buraco Negro

Eram três da tarde quando comecei os preparativos. Tomei banho com a potência do chuveiro no máximo, queria que a água levasse embora a sujeira e as expectativas também. Pontualmente, me encontrei com o semi desconhecido que estava a minha espera na Av. Conde da Boa Vista, um dos locais mais movimentados de Recife, daqueles que você passa a vida inteira e nunca parar para olhar os detalhes, não de verdade, pelo menos. 

Ao entrar no motel logo notei a diferença na temperatura, acho que eles mantém daquele jeito, tão baixa, para evitar a proliferação de fungos - juro, foi exatamente o que passou pela minha cabeça... Depois de passar por todos aqueles corredores, ornados com quadros bregas de paisagens que nada condiziam com a realidade do ambiente e aquele tapete vermelho sangue que cobria todo o chão e dava vertigem [urrr], chegamos ao número 04.  

Com a atividade, nossos corpos foram tomados pelo prazer, eu estava envolvida, sentia cada célula entrando em sintonia com o universo.... manifestava-se em mim a morte. 
E era por ela que eu estava ali, pela morte. O erotismo, através de seus diversos disfarces,  não passa de eterna busca por sentido, algo maior a mim mesma e a você, - o ciclo vida  - o amor - o misticismo - a religião - orgasmos - la petite mort . Estava lá eu, dançando com Eros.

Uma dança tão linda, ao som de uma marcha fúnebre. A marcha em si não me incomodava, de modo algum, o que me incomodou [incomoda ainda] foi [é] a sua brevidade. Foi o fato de estar lá e não me contentar com seus 10 segundos, nem com 10 segundos vezes três, nem com a repetição diária dos 10 segundos. Então, qual sentido da dança? Se é tudo como um círculo, não tem limitado seu começo e seu fim, existe por acaso e se repete, eternamente, completo e incompleto em si mesmo.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

C[om]eta

Outro dia eu estava andando, chegando na minha rua. Voltava de mais uma andança com uma querida amiga. Um homem passou por mim com um cheiro que para muitos seria repugnante, mas para mim fora agradabilíssimo.






Naquela altura do dia, uma da tarde, o sol triunfava sobre suas cabeças, chegando a causar cefáleia. Enquanto os moradores da cidadezinha se preparavam para o fim da sesta, eles caminhavam  pelas ruas largas e desertas indo para a 'pousada'. O horário pode parecer incoveniente para os leitores, mas era um sábado e  esse era o único horário viável para esse casal que durante a maior parte do tempo permanecia separado por 60km de distância. Sim, eram amantes modernos e semi virtuais.
Ao chegarem a 'pousada' foram recepcionados por uma jovem senhora que estendia as toalhas recém lavadas, naquele horário os clientes não eram esperados.
O quarto, de número 3, tinha no teto sobre a cama uma pintura azul estrelada, imitação de céu... Ao entrarem no quarto o cheiro de Carlton recém fumado e o perfume Anny, que ela adorava usar para sair com ele, se misturaram. O cheiro era de cigarro, perfume feminino e amor (?!).
Banho, carinho, cumplicidade, ato.
Ambos não sabiam que aquele seria o último encontro, mas a memoria olfativa não os perdoou. E hoje, depois de anos,  as vezes são capazes de jurar que sentem aquele mesmo cheiro novamente. Talvez sejam só os dias de verão, quem sabe?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

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"Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos. "

Carlos Ruiz Zafón in "A sombra do vento"

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Veja bem... esse sou eu!

?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Leia.

"Digamos, portante, que a idéia do eterno retorno designa uma perspectiva em que as coisas não parecem ser como nós as conhecemos: elas aparecem para nós sem a circunstância atenuante de sua fugacidade. Com efeito, essa circunstância atenuante nos impede de pronunciar qualquer veredicto. Como condenar o que é efêmero? As nuvens alaranjadas do crepúsculo douram todas as coisas com o encantamento da nostalgia: até mesmo a guilhotina."
Milan Kundera em ” A insustentável leveza do ser “.

Nostalgia, Sofia Dymiski

domingo, 27 de novembro de 2011

Janela

"Todas as canções são de amor... tudo que se fala é do amor..."
Alguém disse por aí.

Deve ter sido a falta de assunto.