Outro dia eu estava andando, chegando na minha rua. Voltava de mais uma andança com uma querida amiga. Um homem passou por mim com um cheiro que para muitos seria repugnante, mas para mim fora agradabilíssimo.
Naquela altura do dia, uma da tarde, o sol triunfava sobre suas cabeças, chegando a causar cefáleia. Enquanto os moradores da cidadezinha se preparavam para o fim da sesta, eles caminhavam pelas ruas largas e desertas indo para a 'pousada'. O horário pode parecer incoveniente para os leitores, mas era um sábado e esse era o único horário viável para esse casal que durante a maior parte do tempo permanecia separado por 60km de distância. Sim, eram amantes modernos e semi virtuais.
Ao chegarem a 'pousada' foram recepcionados por uma jovem senhora que estendia as toalhas recém lavadas, naquele horário os clientes não eram esperados.
O quarto, de número 3, tinha no teto sobre a cama uma pintura azul estrelada, imitação de céu... Ao entrarem no quarto o cheiro de Carlton recém fumado e o perfume Anny, que ela adorava usar para sair com ele, se misturaram. O cheiro era de cigarro, perfume feminino e amor (?!).
Banho, carinho, cumplicidade, ato.
Ambos não sabiam que aquele seria o último encontro, mas a memoria olfativa não os perdoou. E hoje, depois de anos, as vezes são capazes de jurar que sentem aquele mesmo cheiro novamente. Talvez sejam só os dias de verão, quem sabe?
